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Revolta dos Malês

Texto: Desembargador Lidivaldo Reaiche

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No dia 14 de maio de 1835, há exatos 185 anos, quatro homens negros africanos, que no Brasil receberam os nomes de JORGE (liberto), PEDRO, GONÇALO e JOAQUIM (estes escravizados), foram fuzilados no Campo da Pólvora (onde hoje, por ironia do destino, se localiza o Fórum Ruy Barbosa), em Salvador, por terem participado da Revolta dos Malês, tão magistralmente estudada pelo Prof. João José Reis, que nos legou o livro “Rebelião Escrava no Brasil”.

Vigia o recém aprovado Código Criminal do Império, de 1830. Os condenados seriam enforcados (pena de morte reservada aos cativos), mas as autoridades não encontraram um algoz para proceder à execução. Consequentemente, optaram pelo fuzilamento (pena de morte dos homens brancos).

Depois do espetáculo macabro, enterraram os corpos dos executados em cemitério destinado a indigentes, situado nas proximidades. Centenas de negros, libertos e escravizados, que integraram a sublevação, foram deportados para a África, inclusive Luíza Mahin, mãe de Luiz Gama, episódio que os separou para sempre.

Muitos dos revoltosos, quando ainda livres no solo africano, eram adeptos do Islã, razão pela qual vários documentos da insurgência estavam grafados em árabe. O nosso glorioso Arquivo Público do Estado da Bahia guarda todo o acervo, inclusive os autos do processo.

 

Lidivaldo Reaiche é desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia e presidente da Comissão temporária de igualdade, combate à discriminação e promoção dos direitos humanos

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